31 Janeiro 2008

Dois tristes tigres

Reunião de famosos

(carregar na imagem para ver melhor)
Quantos consegue descobrir?





28 Janeiro 2008

Governo das orelhas moucas

24 Janeiro 2008

Pequenos episódios da história

Os louros de chefe militar e o poder ilimitado de tirano não satisfaziam Dionísio [governante da Sicília do século IV a.C.]. Queria também passar por poeta e atrair assim uma admiração que não podia ser imposta pela força. O tirano era extraordinariamente susceptível a respeito dos seus talentos poéticos. Durante um banquete leu algumas das suas obras ao poeta Filóxeno; depois, muito contente consigo próprio, perguntou-lhe o que pensava dos seus versos. Filóxeno cometeu a imprudência de formular algumas críticas. Dionísio ficou de tal modo irritado que mandou o poeta para trabalhos forçados, nas pedreiras de Siracusa. Mas no dia seguinte, com remorsos, mandou-o libertar. Em seguida, por ocasião de outro banquete, voltou a pôr o pobre Filóxeno à prova: «Que pensas tu dos meus poemas?», Filóxeno não lhe respondeu directamente, mas voltou-se para os guardas com estas palavras: «Levem-me de novo para as pedreiras!»

in História Universal, volume III, Carl Grimberg

Os mercados recuperam


A bolsa portuguesa abriu a sessão a subir mais de 3%, com 16 títulos em alta e a subirem mais de 2%. Acompanhando as fortes subidas da Europa, o PSI-20 sobe 3,05% impulsionado pelos títulos da Galp, da EDP e da PT.

21 Janeiro 2008

The Smokehouse

A BBC vai lançar um big brother contra o tabaco. O mote poderia ser: dezenas de cigarros, doze viciados, seis crianças, uma casa! Na Smokehouse, os filhinhos vão ter que livrar os seus pais do terrível pecado do fumo by any means necessary. Para além da presença persuasora das crianças, os pais terão acesso, segundo o DN, a “atletas e preparadores físicos para auxiliá-los”.
Este programa intelectualmente anoréctico pretende, além de ganhar muito dinheiro, moralizar as massas e incutir-lhes uma atitude responsável para com a vida… Nada de mais fanático (segundo Amos Oz, o fanático só quer que o outro faça o que é melhor), nada de mais característico de uma sociedade perdida em pequenos valores, pequenas causas, pequenas guerras.

20 Janeiro 2008

Fidel Castro foi hoje reeleito para a Assembleia Nacional

19 Janeiro 2008

Notícias preocupantes

17 Janeiro 2008

É muito triste

Queria dizer qualquer coisa sobre a nova polémica com os protestos contra a visita do Papa à Universidade "La Sapienza". Mas para quê faze-lo se Rui Oliveira o explica tão bem n'O Insurgente
Aqui fica o ele diz:

Na RTP1, o modo como foi tratado no Jornal da Tarde o cancelamento da visita que o Papa Bento XVI deveria fazer amanhã à universidade romana La Sapienza foi, no mínimo, pouco informado. Já ontem a notícia sobre o assunto no Telejornal dizia uma data de disparates.

Não fiz a transcrição completa das peças televisivas, mas há uma parte absolutamente extraordinária na peça do Jornal da Tarde. A jornalista diz que 67 professores escreveram ao reitor evocando que a universidade é laica e que recordaram:

o discurso reaccionário sobre a ciência que o Cardeal Ratzinger proferiu em 1990. Na altura considerou justa e racional a condenação de Galileu à prisão. O crime de Galileu foi apoiar as teorias de Ptolomeu e Galileu sobre astronomia (sic) e confirmar que a Terra gira à volta do Sol.

Antes de continuar, talvez seja de contar rapidamente o que se passou, pois as notícias da RTP não são muito esclarecedoras.

A reitoria da universidade convidou o Papa a estar na abertura do ano académico. Um professor, Marcello Cini, enviou em Novembro uma carta contestando este convite. Depois, 67 professores, a que se juntou o apoio de mais 600, (entre mais de 4000 da universidade) enviaram uma carta (que pode ser encontrada nesta notícia do Corriere della Sera) ao reitor a pedirem a anulação do convite, mencionando aí a tal frase considerada “reaccionária” pela jornalista da RTP. Ao mesmo tempo, uma minoria de alunos (sem dúvida da esquerda festiva e caviar lá do sítio) estava a preparar um autêntico carnaval para recepção ao Papa, mas o Vaticano decidiu que não ia dar palco a estes meninos (já sabemos que as televisões iriam passar ad nauseam esta contestação mesmo se protoganizada apenas por 100 ou 200 alunos) e anulou a visita. Foi, uma vez mais, uma demonstração de intolerância laicista.

Mas, voltando à vaca fria, o que estava mal na peça da RTP? Em primeiro lugar, na RTP atribuem ao Papa afirmações que não são dele. Se tivessem lido a carta dos 67, perceberiam que o Papa estava a citar o filósofo Paul K. Feyerabend (1924-1994). Segundo os 67 professores o Papa citou esta frase de Feyerabend: “All’epoca di Galileo la Chiesa rimase molto più fedele alla ragione dello stesso Galileo. Il processo contro Galileo fu ragionevole e giusto”.

Retirar uma frase do contexto é fácil. Em que contexto Feyerabend escreveu isto? (e, está claro, ao dizer isto, Feyerabend não estava a defender a Inquisição, apesar do que parece), em que contexto o discurso de Ratzinger citou esta frase? Qual quê? Nada disso interessa aos 67 professores e muito menos aos jornalistas da RTP. Talvez este artigo do Corriere della Sera ajude a compreender melhor esta citação.

Se a jornalista da RTP nem sequer sabe que a citação não era do Papa, como raio saberá ela que o discurso é “reaccionário”?

Outro ponto, “apoiar as teorias de Ptolomeu e Copérnico sobre astronomia”? Gostava que me explicassem isto. De certeza que a teoria do Ptolomeu não era heliocêntrica. Talvez fosse bom a RTP explicar esta frase. É que, à partida, parece-me haver aqui uma contradição.

Não há dúvida que o modo como se faz informação em Portugal é muito pouco satisfatório. Não pesquisa, não há cultura, não há nada. No fundo, parece haver apenas uma coisa: desinformação. Triste, sem dúvida…

É a mesma história que aconteceu com o discurso Ratisbona. Tiram uma citação que o Papa fez fora do sentido e deturpam a sua opinião. É muito triste.

«Cheira bem, cheira a Lisboa»


Hoje no Diário de Notícias:
Cheiro a gás invadiu as avenidas de Lisboa

Um gás de origem desconhecida alastrou ontem pelas principais avenidas de Lisboa, entrou nos túneis do metro e obrigou bombeiros, protecção civil e técnicos da Lisboagás a percorrer a zona entre a Avenida das Forças Armadas até Sete Rios para identificar a origem do mau cheiro. Ao fim de quase 10 horas a retirar tampas de esgotos, escavar buracos ou levantar o alcatrão, foi encontrado junto à Faculdade de Farmácia, na Avenida Professor Gama Pinto, um frasco com uma substância suspeita.

Inspectores da Judiciária deslocaram-se ao local para recolher o recipiente, que será analisado pelos técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente, que vão examinar também amostras de ar recolhidas nos esgotos. Os resultados, no entanto, só serão hoje conhecidos. À hora de fecho desta edição, bombeiros, funcionários da Lisboagás e elementos da protecção civil continuavam no terreno a tentar localizar a origem do cheiro ao mesmo tempo que procediam ao arejamento das condutas e à medição dos níveis de gás.

16 Janeiro 2008

Risível

A gargalhada é a única resposta possível às declarações de Luís Filipe Menezes sobre os comentadores políticos. Não se percebe porque é que decidiu falar sobre o assunto, nem com que objectivo. Não se percebe, sobretudo, que mal maior advém ao nosso País do facto de não haver «equidade» nos comentários políticos.
Ficámos a saber – isso sim! - que Luís Filipe Menezes, pretendente a primeiro-ministro, enveredou descaradamente por uma política do inócuo.

15 Janeiro 2008

Vergonhoso

Não se negoceia com terroristas

As FARC, ilustres convidadas da indescritível festa do Avante!, decidiram abrilhantar o camarada Chávez. A mediação do presidente da Venezuela é no mínimo estranha… Por um lado, Chávez fica com a imagem mediaticamente apetecível de “libertador”, por outro, não resisto a especular o que terão as FARC recebido em troca. Subentende-se nas entrelinhas um pequeno incentivo monetário, ou seja, um excelente negócio para ambas as partes.
Entretanto, provando que não se pode negociar com terroristas, foram raptados mais seis colombianos .

14 Janeiro 2008

O Porto (VI)


"O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da Polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria."

Ramalho Ortigão

Reencontro

11 Janeiro 2008

Ética da Responsabilidade (II)


É parecido com este texto?
É a minha opinião.

Ética da Responsabilidade

Com o anúncio da construção do aeroporto em Alcochete, a notícia da rectificação do Tratado quase-Constitucional-mas-não-é-bem-a-mesma-coisa de Lisboa foi chutada pra canto.
No debate na Assembleia da República, que agora é quinzenal e com um modelo que me pareceu muito proprício a um debate mais esclarecedor, também por ser mais curto, Sócrates apresentou as suas razões para que a ratificação do Tratado quase-...- ser feita via parlamento. Sinceramente esperava que Sócrates dissesse que a ratificação iria ser feita no Parlamento "pelas razões que todos sabem"! Mas não. Deu três fraquinhas razões. A primeira dizia que a promessa feita na campanha eleitoral referia-se a um Tratado Constitucional, ora o Tratado de Lisboa é, segundo Sócrates, uma coisa completamente diferente. De facto, o parágrafo relativo a esta matéria no programa do governo apenas se refere ao Tratado Constitucional. Mas isto foi antes da crise provocada com os NÃOS da França e da Holanda nos referendos ao Tratado. Logo, como se poderia saber que ia ser preciso fazer um novo Tratado, que em vez de se chamar Constitucional tem o nome de uma cidade solarenga? Além disso, no programa de governo tem uma frase muito reveladora, que aliás Sócrates se "esqueceu" de ler quando citava esse parágrafo e que diz o seguinte:
O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca.

Programa Eleitoral do PS (p. 154)
Destacados meus
Sócrates preferiu um compromisso com os líderes europeus a um compromisso com o seu próprio povo e, mais do que isso, o seu eleitorado...

Um referendo popular "amplamente informado" seria sem dúvida muito útil. Claro que há aqueles que consideram o assunto demasiado complexo para ser levado a debate. Mas a sociedade de hoje caracteriza-se pela sua complexidade. A questão do aeroporto não foi discutida? Foram apresentados números, vantagens e incovenientes. Na questão europeia não. Ninguém se preocupou em fazer um "Tratado de Lisboa para «tótós»".
Pois, fica aqui a minha sugestão. Alguém que escreva um "Tratado de Lisboa para «tótós»" em nome de um povo "amplamente informado".

O Porto (V)

O Tomás escandalizou-se com a citação que eu postei de Eça de Queiroz. Ainda bem que Eça continua a escandalizar! É bom sinal…
Para lhe adoçar o espírito, contudo, deixo aqui uma citação mais amena sobre o Porto, desta vez um poema de José Gomes Ferreira.

Porto - cidade de luz de granito.

Tristeza de luz viril
com punhados de grito.

10 Janeiro 2008

Mário Lino "jamais" sairá do Governo


José Sócrates anunciou hoje que o novo aeroporto internacional será em Alcochete. Não me sinto com qualificações para avaliar a decisão, no entanto, acho no mínimo estranho que Mário Lino não se tenha demitido imediatamente. Parece que sair do Governo, mesmo depois de todas as posições que tomou, jamais, JAMAIS!

09 Janeiro 2008

O Porto (IV)


Afonso,
mas o Eça de Queiroz também disse:

"Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S.Carlos e o Martinho. Detestam-se!"

Igreja Românica de Cedofeita

A Igreja Românica de Cedofeita é uma velha senhora cansada que por vezes condescende um sorriso. O tempo vestiu-a de solenidade, mas a firmeza milenar que ostenta é apenas o disfarce de uma alma suave. Viu crescer à sua volta, como plantas, os edifícios que hoje constroem o Porto e por isso conhece todas as manhas da cidade, os seus bairrismos, as suas paixões, as intrigas entre granitos, as suas brejeirices e acontecimentos políticos. Sabendo de cor todas as histórias, arregala os olhos, sorri um pouco atrapalhada e continua o seu estático caminho pelos séculos.
De tão velha que está, deve sentir-se cansada. Muito cansada. Mais do que cansada, deve sentir-se farta da má educação e insolência com que por vezes a tratam. Até há bem pouco tempo, as suas portas de madeira esverdeada eram um mosaico de pequenos ditos, pequenas verdades e pequenas mentiras, de números de telefone, de desenhinhos e cores pseudo artísticas de grafitters nocturnos. Parece-me que a velha e entroncada Igreja consegue aguentar estas pequenas inspirações nas suas portas, não suporta, isso não, grandes expulsões no seus cantos… De facto, todos os dias alguém se lembra de esvaziar a bexiga num dos cantos mais escuros e recuados da Igreja. Tudo isto por baixo de ditos latinos cinzelados na pedra. Um crime.
Há uns meses, no entanto, alguém se compadeceu da cansada Igreja. Encontrei-a cuidadosamente lavada, arejada e as suas portas repintadas com um verde cheio de essência, enfim, encontrei-a decente! Pareceu-me uma senhora velha que se arranjou como no antigamente para se ir encontrar com as amigas. Estava contente, a renascida Igreja!
Ora, este texto não acaba bem. Passei ontem por ela e acenei-lhe, dizendo-lhe adeus, mas as suas pedras estavam outra vez macambúzias: na grande porta da frente, pintadas a graffiti cor-de-laranja, duas escorridas, grandes e miseráveis suásticas gozavam da sua anterior alegria!

08 Janeiro 2008

Está decidido

Depois de saber que a U.E estava preocupada com a hipótese de Sócrates referendar o tratado e que Cavaco Silva estava preocupado com os riscos se o Tratado de Lisboa falhasse, sabemos hoje que Sócrates vai anunciar oficialmente amanhã, no debate quinzenal, a ratificação parlamentar do Tratado Reformador.
Além de não cumprir uma promessa eleitoral que estava expressa no programa eleitoral, é um acto anti-democrático. É uma decisão baseado no medo da opinião pública e no medo da fraca participação.
O Programa do Governo reza assim:
No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado acima referido. O Governo entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca.

Etiquetas: ,

O Porto (III)


Seguindo o exemplo do Tomás, aqui vai uma breve citação sobre o Porto, desta vez de Eça de Queiroz, contemporâneo de Pinheiro Chagas:

- E o Porto o que é?
- Uma terra onde se é negociante para ter meios de fingir que se é aristocrata.

In Uma Campanha Alegre

O Porto (II)


«O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.»


Alexandre Herculano

Turismo invulgar...

07 Janeiro 2008

O Porto (I)

«O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.»
João Pinheiro Chagas

06 Janeiro 2008

Quem está mal, muda-se

Já não é a primeira vez que António Nunes dá o flanco à faca da crítica. No entanto, penso que têm errado o corte ao retalhá-lo pelo caso do cigarrito after midnight. O caso é grave pela infracção descarada, convém apenas não centrar um debate complexo única e exclusivamente na festividade dum réveillon.
António Nunes deve ser trinchado, isso sim!, pela entrevista da semana passada ao Sol, onde se oferece de mão beijada e numa bandeja. Nessa sublime entrevista, o inspector-geral da ASAE alega que 50% dos restaurantes e cafés podem vir a fechar devido ao incumprimento de normas sanitárias. A declaração é infeliz, quanto mais não seja pelo absurdo que representa.
Mas há mais!
O “inspector-em-chefe” da omnipresente ASAE rematou ainda com o mais típico e arrogante dos argumentos de autoridade: quem está mal, muda-se (a citação exacta: “[Regulamentar e controlar] é o rumo desta sociedade e nós senão quisermos viver nesta sociedade temos a hipótese de emigrar.”). Para grande espanto das pessoas que ainda têm a capacidade de se indignarem, estas declarações intelectualmente obesas não levaram a uma onda irada de protestos, como este.
Parece que já estamos habituados, uma mão sobranceira e firme vem sempre a calhar.

03 Janeiro 2008

Boa música (10)


boomp3.com
"In the Beginning", do álbum In Existence
Phil Sawyer

02 Janeiro 2008

Começou a caça às bruxas

Foi ontem

Inspector-geral da ASAE fotografado a fumar com lei já em vigor

A áurea de seriedade e austeridade da ASAE acabou. O Inspector-geral desculpou-se dizendo "que a lei não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e salas de jogos", a desculpa mais esfarrapada que encontrou. A Direcção Geral da Saúde, num parecer, afirma que as salas de jogos e casinos por serem lugares fechados e públicos devem ser incluídos no âmbito da lei...





Etiquetas: , ,