16 Fevereiro 2008

Pequenos episódios da história III

Gorgô: Praxínoa está?
Praxínoa: Querida Gorgô… Há quanto tempo… Estou sim. É um milagre ver-te por cá. Êunoe, arranja uma cadeira para esta senhora; traz também uma almofada.
Gorgô: Está muito bem assim…
Praxínoa: Senta-te.
Gorgô: Foi mesmo uma patetice… Nem sei, Praxínoa, como me vi livre de tanta gente e de tantos carros. Anda por aí tudo cheio de soldados. E o caminho nunca mais acaba: cada vez vais morar para mais longe.
Praxínoa: Foi aquele maluco… Veio desencantar cá para o fim do mundo este buraco que nem casa é… E só para não ficarmos uma ao pé da outra, só para contrariar… Sempre o mesmo: ciumento e mau.
Gorgô: Não fales assim do teu marido, de Dídone, diante do pequeno, queridinha… Olha como se pôs a mirar-te, mulher! Não tenhas medo, Zoripião, meu lindo menino: ela não está a falar do papá.
Praxínoa: O miúdo percebe, pela deusa!
Gorgô: Bom papá…

As Mulheres de Siracusa na Festa de Adónis
Teócrito (310 a.C. – 250 a.C. )

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