31 Agosto 2007

Que grande "rentrée"!

Hoje mesmo, Paulo Portas estreia-se com um vídeo, a primeira de muitas intervenções no YouTube e no Sapo Vídeos. Tê-lo-emos não no pequeno, mas no minúsculo ecrã. Para além destes dois clássicos, o CDS-PP estreia-se também na TVNet.
O CDS-PP reentra em grande no ano político. Para um partido que se afirma renovadamente velho, aventurar-se por caminhos inéditos e mexer nessa coisa que é a Internet parece-me um passo ousado e, também, de uma enorme desenvoltura e honestidade.
Porquê?
Eu explico:
Ousado, no que diz respeito aos vídeos, porque para repetir o que já foi visto até à exaustão é preciso, de facto, muita ousadia! Marcelo Rebelo de Sousa e Francisco Louça foram como estrume em excesso: esgotaram o terreno. Agora convém deixá-lo em pousio. Desenvoltura, porque é preciso, de facto, ter vivacidade e um certo impudor para apresentar o velho como novo. De resto, o actual CDS-PP de Paulo Portas é isso mesmo, portanto já têm todo o know-how!
Honestidade, porque é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um partido com claras e legítimas ambições políticas destapa o manto que o cobre e mostra a sua verdadeira identidade. Nesta rentrée, ao usar as novas tecnologias como a Internet, o CDS-PP afirma-se clara e inequivocamente um partido virtual!

Red Bull Air Race

(foto do site oficial)

Foram hoje os treinos da Red Bull Air Race: mais de 250 mil espectadores. Desta vez não fui, mas amanhã lá estarei. Um autêntico espectáculo, a não perder!

Gualter Batista na SICN

30 Agosto 2007

O silêncio do poema

(Imagem: Noite estrelada, Van Gogh)

A meio da noite, quando a hora dobra, o vento
É só um suspiro perdido e o calor a memória do sol.
Tristeza, esta noite de olhos quebrados, sem poemas.

Sento-me e desligo o computador, deixo a noite entrar…
As vozes do dia que acabou tentam perturbar a cristalina estabilidade da escuridão,
Tomando de assalto o descanso dos móveis, que estalam.
Sussurrar os segredos do dia é muito alto para esta calma,
De maneira nenhuma posso ouvir o que li nas horas agitadas:
«Morreu tantos de tal às cinco da tarde.»
De maneira nenhuma quero estar ligado à realidade, pelos jornais.

Quero apenas a suavidade da noite, e os seus braços a embalar.
Quero o rugido do mundo silenciado para poder ouvir um apelo que m’incomoda,
Que brota do fundo não sei de onde
Como uma planta nascida na fissura emparedada de uma casa abandonada.
Quero horas calmas.

Quando tudo finalmente adormece, espero que a alada imaginação
Traga claridade ao descanso em que me enterro:
Vejo no escuro o silêncio do poema – a chegar!

29 Agosto 2007

Inteligência geneticamente modificada?

Estou desolado por não ter visto a entrevista de Gualter Batista à Sic Notícias (dizem que perdi a melhor comédia dos últimos tempos), mas este vídeo no YouTube (via 31 da Armada) serve de consolo…


Colete indicado para andar no Porto

28 Agosto 2007

Kid Nation ou "O Senhor das Moscas Reloaded"



(Fiquei sem palavras, comento depois esta vergonhosa e descarada EXPLORAÇÃO INFANTIL)

27 Agosto 2007

Sr.ª D.Wiki

A Wikipédia é uma mulher sensível que muda de personalidade conforme os amantes que tem. Uns podem chamar-lhe outros nomes, mas eu prefiro apresentá-la como “mulher liberal.” (Enfim, para bom entendedor meia palavra basta...) Muda conforme a preferência dos seus utentes, mesmo que isso implique contrariar o que já estava estabelecido como certo na sua mente simples.
Ora, esta senhora diz-se “séria”. Desdobrada em personalidades e máscaras, a Wiki (para os amigos, que não é o meu caso) mostra uma máscara em público e coloca outra em privado. Perante os olhos do mundo é, como já a definiram, “senhora dedicada inteiramente à cultura”, “uma mais-valia”, no entanto, quando se vê no recato do lar, transforma-se na mulher lasciva descrita no primeiro parágrafo. Julgava a Wikipédia que conseguia manter esta vida dupla durante tempo indefinido – acontece que não conseguiu. Um sujeito sério, o Wikiscanner, desmascarou brutalmente esta duplicidade hedionda!
Exposta, a Wikipédia tentou dar a volta à situação da maneira típica de quem não tem escapatória: vitimou-se. Pobre desprotegida, só em situações extremas era auxiliada pela mão dura de um padrinho distante! A infância e as origens foram expostas em hasta pública. Bateu com a mão no peito, chorou. Uns acreditaram nela, insurgindo-se contra os utentes que vandalizavam a sua pureza. Outros, mais cépticos, optaram por guardar para si os juízos conjecturados no fundo da alma. Alguns perceberam que não podiam fiar-se numa senhora/mulher com duas vidas, como poderiam confiar na face “séria”, “de cultura”, sabendo da face “oculta”, de “manipulação”? A descoberta fez manchetes e pintou letras berrantes nas páginas de jornais.
Sobreveio a verdade, ao fim e ao cabo: a Wikipédia era afinal uma farsa.

Requiem grego



Mais de sessenta mortos em quatro dias d'inferno.

25 Agosto 2007

Troca de argumentos

Por vezes, na blogosfera, desencadeiam-se trocas de argumentos e discussões entre bloggers. Construtivas ou não, sempre é interessante – por vezes mais divertido do que outra coisa – ver vizinhos a digladiarem-se numa troca de argumentos via net.

Neste caso, Tiago Barbosa Ribeiro, do Kontratempos, escreve um post sobre a recente acção de protesto ambientalista contra o alargamento do aeroporto de Heathrow. Daniel Oliveira, do Arrastão, responde. Tiago Barbosa Ribeiro dá continuação à conversa. Esperam-se novos desenvolvimentos.

Mais uma travessura de Chávez...

Morreu Eduardo Prado Coelho

Morreu hoje de manhã o escritor, ensaísta e professor Universitário Eduardo Prado Coelho. O Público está de luto, os seus leitores também.

Boa fotografia

"Passagem"

"Código de barras"

Zacarias Pereira da Mata, fotógrafo, tem um site. Vale a pena visitar.

24 Agosto 2007

Outra, desta feita em Londres

(imagem via Gateway Pundit)

Uma horda de ecologistas, em protesto contra o alargamento do aeroporto de Heathrow, invadiu uma empresa israelita das imediações e, com as instalações tomadas, ergueu uma bandeira palestiniana.
Este é o grau zero da inteligência com confusões e violências ideológicas à mistura.

23 Agosto 2007

Queixumes e preguiças

O queixume e a preguiça são doenças crónicas muito nossas, cultivadas e acarinhadas ao longo de 864 anos de história.
Melhor ainda: abala-nos um queixume preguiçoso e sentencioso.
O português senta-se e saem-lhe imediatamente fagulhas contra tudo e contra todos. Isto vai de mal a pior! O Governo, e os políticos!... Merda de país, porque é que eu fui nascer aqui?... O português levanta-se num gesto de revolta para logo se sentar, estafado. Ao lado dele, com mais prudência, perguntam-lhe: Pois, os políticos, sabes como é… Em quem é que votaste nas últimas eleições? O português suspira: Eu?! Isso é lá pra mim! Os outros abanam a cabeça, sorrindo, mas por descargo de consciência perguntam: E a economia, pagas os teus impostos? O português responde: A economia vai mal e eu não contribuo para essa vergonha! O dinheirinho é meu.
No entanto, até chegar a este estado, o português, diamante em bruto, teve que ser lapidado ao longo da vida.
Segunda-feira de manhã, primeiro dia d’aulas da semana. Toca a campainha, mais estridente que nunca. O português diz: Ah… Estou tão cansado. Porque é que isto começa tão cedo? Ainda por cima com aquela mulher a dar aulas. Estou cansado disto tudo! Anos depois, quando finalmente se senta (está sempre sentado, este português…) à secretária para o primeiro dia de trabalho como funcionário público, uma frase emerge lá do fundo, como um vómito: Porque é que se tem de trabalhar até tão tarde? Eventualmente, no meio desta vida tão estafada, o português consegue construir uma família à qual pega o seu cansaço, o queixume por estar cansado e a preguiça exausta de quem faz pouco. (Nos intervalos disto tudo, o português lava as jantes do carro.) Depois reforma-se e finalmente pode descansar, no entanto o banco do jardim onde conversa com os amigos é desconfortável. Não mereço isto! Ao fim de tantos anos de trabalho!... Um outro reformado diz-lhe: Calma, amigo, aquele ali está direitinho. Vamos para lá! O português responde: Ahhh…Deixa estar, talvez amanhã…
Longe de mim querer definir “o português”, mas lá que existe uma camada portuguesa muito caracteristicamente cansada e infrutífera, existe, e é a que telefona para o «Quem Quer Ganha»! Era aqui que eu queria chegar:
- Bom dia Carminda, de onde vem?
(pergunta típica)
- Eu? Do Algarve!
(resposta provável)
- Ah, do Algarve! Fantástico, já fui muito feliz no Algarve, sabia?
(mais do que provável ou típica, esta é reacção inevitável)
- Uma terra muito bonita…
- Mas diga-nos, Carminda, como está?
- Mal!... Sabe como é, este país… Tudo muito mal, uma crise muito grande. Passa-se muito mal, as poupanças não chegam. Eu mais o meu marido e os nossos filhos vivemos muito mal, sabe? É assim a vida num país destes. O que é que se pode fazer, né?
- Se ganhar o prémio o que é que tenciona fazer com o dinheiro?
(O espectador que não conheça o género acima descrito pensa, com todo o direito, que o dinheiro será utilizado para melhorar a vida da pobre Carminda, portuguesa estafada, queixosa e infrutífera. Também eu pensava isso. No entanto, aquela voz fífiada de mulher de meia idade, respondeu o seguinte, toda orgulhosa:)
- Eu? Pois então, vou viajar!
Conclusão: Os portugueses queixam-se de Portugal: Portugal devia queixar-se dos portugueses!

Red Bull Air Race

Até me engasguei com este comunicado perverso

22 Agosto 2007

O estranho caso de Menezes

Estranho caso, este. No meio de tanta inautenticidade existe apenas uma coisa genuína: a estupidez! Esperava o assessor que as pessoas não percebessem que alguns textos não são de Luís Filipe Menezes? O que é que lhe irá na cabeça, caixa cavernosa cheia d’ecos e silêncios de pura burrice? Copy/paste?! (Ainda por cima da wiki que como enciclopédia é uma mera figura de estilo e um dos sites mais prováveis para a cópia.) Sim, dava um pouco mais de trabalho, mas custava muito ir à Luso-brasileira copiar uns excertozinhos, ou a um livro velhinho e empoeirado escondido no fundo de uma estante?
Não é tudo isto revelador de uma enorme estupidez, desleixo e preguiça? Se nem para enganar têm inteligência, não enganem!

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Esta esquematização que António Costa Amaral elaborou sobre os posts do blog de Luís Filipe Menezes está simples, bem feita e deve ser consultada.

21 Agosto 2007

Bolhão

(porque o mundo não se pinta só a verdeufémia)

O Bolhão, para quem não saiba, é um mercado típico do Porto. Está em vias de ruir, diz-se, mas aguenta-se bem apoiado aos andaimes que lhe fazem de muletas. Está um velho, o Bolhão! Um velho cheio de encantos que a maioria prefere evitar, trocando-o pelos novos, higiénicos e estéreis centros comerciais.
As manhãs de sábado são o dia ideal para o visitar, quando o nevoeiro da cidade se escoa por entre edifícios também eles velhos, apoiados uns aos outros. Mano-a-mano para a eternidade: será que se ouve o murmúrio das suas conversas, o que viram ou ouviram com o passar dos séculos?...
Ao entrar no mercado, um bafo fresco a frutas enlaça-nos para não nos deixar fugir mais. Bancas e casotas dispostas em ordem na desordem de frutas e flores, feijões, nozes, pinhões… Avelã, por si só, como palavra, tem um gosto muito próprio! O voo rasante de uma pomba perturba a tranquilidade do gindungo domado pela ramada e um cacarejar aflito de galinha ritma a marcha ininterrupta que uma codorniz faz à volta da gaiola. Quando as aves tinham gripe (não sei se ainda têm, já que a agenda mediática avançou em frente), as mulheres que me conhecem desde pequeno e que vendem quase tudo desde galinhas paduanas até ovos galados de ganso, passando por ratos-chinos, foram obrigadas a sair. Como sempre, ridículos na nossa histeria, decidimos ser mais papistas do que o papa. As vendedoras foram expulsas mas acabaram por voltar. Voltam sempre: cinquenta anos de trabalho no mesmo sítio falam mais alto.
O peixe é também um ex libris. Uns ainda abrem e fecham a boca, outros limitam-se a estarem mortos com a beleza de quem parece estar vivo. Um sangue muito autêntico escorre em riachos, tendo por jangadas as escamas que brilham ao sol.
Nada substitui esta autenticidade.
As vendedoras, essas, adicionam encanto ao encantamento. Novas ou velhas, filhas ou mães, todas ganham a manha do Bolhão. Genuinamente portuenses, lançam uns “Ó, môr!” de mão na anca, quase dançando com o cliente. Piropos saem de graça, e são sempre fartos, o cliente acaba sempre por se distrair e, sem saber como, leva mais um quilito disto ou daquilo.
O Bolhão é um dos típicos mercados portuenses que, como o nevoeiro, acabará por se diluir. Quando tudo isto acabar, que remédio temos senão ir às grandes superfícies? Lá, os legumes não suscitam prosa nem poesia. Cesário Verde nunca escreveria estes versos sobre a esterilidade dum Continente ou Pingo Doce:

Chegam do gigo emanações sadias,
Oiço um canário – que infantil chilrada! –
Lidam ménages entre as gelosias
E o sol estende, pelas frontarias,
Seus raios de laranja destilada.

E pitoresca e audaz, na sua chita,
O peito erguido, os pulsos nas ilhargas,
Duma desgraçada alegre que me incita,
Ela apregoa, magra, enfezadita,
As suas couves repolhudas, largas.

E como as grossas pernas dum gigante,
Sem tronco, mas atléticas, inteiras,
Carregam sobre a pobre caminhante,
Sobre a verdura rústica, abundante,
Duas frugais abóboras-carneiras.


Gestos destes emocionam-me

O Ministro da Agricultura, Jaime Silva, teve um gesto inédito de bondade: foi ter com o agricultor do campo de milho destruído, avaliou o prejuízo e como se não bastasse ofereceu todo o seu apoio legal para processar os responsáveis. Possivelmente com pancadinhas nas costas, amigável e subserviente, disse ao agricultor lesado que os verdeufémios seriam responsabilizados legalmente. Nunca vi gesto tão bonito por parte de um Ministro! Estou sentido, emocionam-me estes momentos de fraternidade: um socialista a ajudar o oprimido! “Cumpri tudo o que pediram, até tirei um diploma, e fizeram-me isto”, afirmou o agricultor ao seu novo amigo engravatado. Imagino a expressão facial contrita de Jaime Silva, os seus ombros tensos, a sentença afiada na ponta da língua e sinto-me feliz por ter um Ministro que ajuda os injustiçados.
No entanto, algo me incomoda. O bondoso Ministro esqueceu-se de referir quem mais processar. Ter-se-á esquecido, tal a azáfama (caramba: avaliar os estragos, insurgir-se contra os responsáveis, etc.) de referir que o Estado também deve ser processado? Só pode, vindo de um Ministro que teve um gesto tão fraterno como o dele! Uma dúvida não deixa de me corroer o juízo: quando for altura de processar o Estado, será que Jaime Silva se prontifica a prestar apoio legal?...

20 Agosto 2007

Ministério da Administração Interna

O comunicado emitido ontem sobre a destruição do milho transgénico, apoiando a actuação da GNR, desapareceu do sítio oficial do MAI. Gostaria de pensar que se trata de um erro técnico, mas não me parece. Por mais que procure não encontro e o link que há poucas horas estabeleci já não funciona.
O MAI já não apoia a GNR?
http://www.mai.gov.pt/actualidades_d.asp?id=241

"Ecotopia: a message to the world"


(via ABRUPTO)

“Pela Lei e pela Grei” uma ova!

O nosso MAI classificou como adequada a passeata que a GNR fez lá pelas bandas de Sines, pelo meio de um campo de milho.
Concordo. De facto, no pico do calor, ninguém pode exigir à Guarda que nos guarde. O sol amacia o corpo, terno, e a brisa convida ao descanso debaixo de um sobreiro despido da sua cortiça, encarniçado. Nos intervalos do descanso um passeio pelas terras circundantes, cultivadas de milho, sabe bem e ajuda à digestão. Nestas condições, quando a GNR é chamada a intervir só o pode fazer de ânimo leve.
Um grupo de ecovândalos está a destruir uma plantação de milho? Calma, tudo se resolve com calma… Chegam, tentam conversar com os activistas. Não conseguem? Tanto melhor! Pelo menos a sua presença apaziguadora está lá para comprovar a tentativa – não podemos exigir mais do que a tentativa.
Mas, alto! A GNR não se limitou a tentar, actuou, de facto. Impediu que um agricultor desordeiro e os seus ajudantes partissem os queixos aos verdeufémios. Sacana provocador de desacatos, o agricultor foi posto na ordem com valentia, apesar do amolecimento estival. O apoio do MAI talvez se deva a esta rápida intervenção, quem sabe?
Sugiro que a GNR passe a ter este hino, mais adequado à credibilidade que agora lhe confio:


Summer Holiday, de Cliff Richard

Manutenção

Por qualquer motivo que desconheço, a tira do lado direito, onde se pode aceder aos posts mais antigos, aos links, etc., fugiu para baixo. Não percebo caprichos destes, principalmente porque o raio da tira só tem este comportamento com utilizadores do Microsoft Internet Explorer. Talvez a birra passe e ela volte ao sítio. Entretanto, peço que tenham paciência.

19 Agosto 2007

Já não era sem tempo!

Silêncios, ruídos e truques de magia

O silêncio do Governo impressiona, sem dúvida, mais do que as declarações tragicómicas de Miguel Portas. Quem cala consente, o ditado aplica-se muitíssimo bem a esta situação. Pelo mesmo motivo, o silêncio dos partidos, com a feliz excepção do PSD, é demasiado alto para não ser ouvido. A inacção silenciosa da GNR impressiona e tem que ser explicada. Acontece que o silêncio explica muita coisa, não é?
(imagem via Abrupto)



No entanto, nesta balança de silêncios e ruídos, a entrevista de Miguel Portas ao DN pesa muito e não pode deixar de ser comentada.
Num truque de retórica fabuloso, Portas-Houdini transforma o óbvio no improvável. As suas declarações como que saem de uma cartola e o público, admirado, tolhido pelo espanto, lança um Oh! seguido de uma salva de palmas vigorosa. Estamos perante um verdadeiro ilusionista! Vejam, senhoras e senhores, como Portini parte em dois uma única acção e mantém o raciocínio aparentemente coerente! “Mas há que distinguir duas coisas: a acção espectacular que coloca na agenda o problema dos trangénicos; outra coisa são os eventuais danos do agricultor.” Incansável, o mágico português ilude as mentes do público e diz: “A sociedade deve separar a dimensão política da dimensão judicial dos casos.” Assim, o público percebe que é perfeitamente desculpável destruir propriedade privada, desde que seja por política. Aplausos! Mas calma, calma… Portini tem ainda um truque na manga: “O limite é a violência contra pessoas.” O público fica sem folgo, tenta escolher entre aplausos e levar o mágico aos ombros, porque, afinal, desde que não saia ninguém lesado fisicamente e desde que os motivos sejam políticos, pode-se cometer todas as ilegalidades! Grande mágico, grande truque!, pensam. Alto! Portini escolheu o melhor para o fim: “Eu dissociar-me-ia de acções como as de Silves se elas se tornassem sistemáticas, se elas passassem a queimar tudo quanto são campos de milho transgénico.” Este é o típico truque da multiplicação, o público percebe que um crime só se torna condenável se for repetido várias vezes. Impressionante! Mas a apoteose ainda está por vir, pelo que o mágico despe a sua capa, num gesto teatral, e avisa o público do fim eminente… (Tambores: Bum, catabum, bum, catabum, bum-bum!!) Os ecoterroristas usavam máscaras, não para esconder a sua identidade criminosa, mas sim para resguardar as suas delicadas faces do maligno pólen transgénico e também para salvaguardar os mais louváveis motivos estéticos! Como ninguém esperava por este truque de deturpação da realidade, o público tomba, rendido…

Em que ficamos?...

18 Agosto 2007

Vândalos!


Surgiram os novos ambientalistas: as debulhadoras! Têm um motor linear, o fundamentalismo, e a força bruta de bois obstinados (quando falo de bois incluo as palas ao lado dos olhos). Basicamente, cortam o assunto pela raiz. Defendem os “actos simbólicos”, eufemismo claro, e o direito à “desobediência civil”, sinal de apodrecimento encefálico. Em resumo, vândalos de extrema-esquerda que estão na moda, impunes apesar de o acto criminoso ter sido perpetrado debaixo do nariz da GNR. Impunes apesar das lágrimas do proprietário, às quais responderam à catanada, ou coisa que o valha.
Para mais, na festa da colheita, surgem ainda os pseudo-intelectuais bloquistas que os apoiam. Aplaudem – deitam achas na fogueira –, mas preferem manter-se à parte, salvaguardando a sua morna e burguesa vida.

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Sobre o mesmo assunto, pela blogosfera:
(em actualização)
O caminho mais rápido para descredibilizar uma causa (II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXI, XXII, XXIII, XXIV, XXV, XXVI, XXVII, XXVIII, XXIX), Paulo Gorjão no Bloguítica.
Ordem ecológicae (II), Francisco José Viegas no A Origem das Espécies
Tudo se explica, Francisco José Viegas no A Origem das Espécies
A análise de José Pacheco Pereira no Abrupto:
I, II, III, IV -
Lendo vendo ouvindo átomos e bits
I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX -
A democracia, a liberdade, a ordem pública, a inteligência, o governo e os verdeufémios
Inaceitável - Terrorismo, assalto, invasão de propiedade, por Espumante
Gostaria que me explicassem (II), Rui Carmo n'O Insurgente
Civilização, Paulo Tunas no blogue Atlântico
A tiro, Helder n'O Insurgente (interpelando Miguel Portas)
Honestidade Acima de Tudo, JCD no Blasfémias (interpelando Miguel Portas)
Gestos, Bruno Alves no Desesperada Esperança (interpelando Miguel Portas)
Ainda Miguel Portas, Luís Pedro no Rabbit's Blog (interpelando Miguel Portas)
O Leviatã, vestido a pele de cordeiro, Rodrigo Adão da Fonseca no blogue Atlântico (interpelando Miguel Portas)
O poder na rua (II), João Távora no Corta-fitas
A ecologia da destruição de colheitas, António Balbino Caldeira no Do Portugal Profundo
Ecoterrorismo, João Pedro Henriques no Glória Fácil
Verde eufémia, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Tiro pela culatra, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Diz-me com que andas dir-te-ei que és
, Tomás Vasques no Hoje há Conquilhas
Ainda o milho marado, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
O caminho mais rápido para descredibilizar uma causa, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
A acção foi da IV Internacional ou da Política XXI?, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Alguém me esclarece qual o artigo da Constituição que consagra o direito à "desobediência civil"?, Rodrigo Adão Fonseca no blogue Atlântico
Uns safanões (II, III, IV), João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos
Verde Eufémia II, 31 - serviço público
Transgénicos são eles, Henrique Burnay no 31 da Armada
Outros eufemismos, Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada
O elo mais fraco,
Daniel Oliveira no Arrastão
Transgénicos e selvagens, Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos
Eufémia, os transgénicos e os mitos, Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos
Ideias para o Bloco de Esquerda, João Miranda no Blasfémias
A estupidez num campo de milho, Duarte Calvão no Corta-fitas
Bloquítica, Pedro Picoito n'O Cachimbo de Magritte
Desobediência incivil, Pedro Picoito n'O Cachimbo de Magritte
Os inocentes, Gonçalo Moita n'O Cachimbo de Magritte
Da série "Grandes Dúvidas", Pedro Picoito n'O Cachimbo de Magritte
Esperam-se consequências, Carlos Manuel Castro no Tugir
Estudos sobre o pachequismo: "a culpa disto é do portal da juventude do governo", Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada
Boa noite, Maradona no A Causa Foi Modificada
prec ecológico, Rui Castro no Incontinentes Verbais
O que é notícia, Henrique Burnay no blogue Atlântico
Eufémia hipócrita, André Abrantes Amaral no blogue Atlântico
"Resistência Civil", Vital Moreira no Causa Nossa
Tempestade, ou tempestade num copo de água?, Miguel Portas no Sem Muros
Convergência 2, Luciano Amaral no blogue Atlântico
O assalto e o papel da GNR, Francisco Almeida Leite no Corta-fitas
Normal, Bruno Alves no Desesperada Esperança
Convocatória, Zé Pedro Dordio no Mar Salgado
Trancas no portão!, Luís Carmelo no Miniscente
Quando o jornalismo só vê um lado das notícias, Carlos Oliveira no Além do Bojador
Já agora..., Helena Matos no Blasfémias
Liberdade geneticamente modificada, Paulo C. Rangel no Geração de 60
"Limites" da auto-defesa, António Costa Amara no A Arte da Fuga
Poeira para os olhos, Bruno Alves no Desesperada Esperança
Aflição política (II), Carlos Manuel Castro no Tugir
Excitação de Verão, Daniel Oliveira no Arrastão
Ecobanditismo, Tiago Mendes no blogue Atlântico
A via verde do paternalismo, Tiago Mendes no blogue Atlântico
Alguém viu o Zé? Faz falta., Pedro Picoito n'O Cachimbo de Magritte
Os «workshops de desobediência civil» do Bloco de Esquerda e os crimes da eco-escumalha, André Azevedo Alves n'O Insurgente
A luta contra o Bloco está a agudizar-se, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Bloco de Esqueda - um partido transgénico, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Governo à mistura no "caso do milho ", Miguel Portas no Sem Muros
Semi-ministro, Gabriel no Blasfémias
Um governo sem ninguém ao leme, Francisco Almeida Leite no Corta-fitas
Trancas no portão! (act.), Luís Carmelo no Miniscente
O alvo errado, Isabel Faria no Troll Urbano
Vasco Graça Moura. O da política., Raimundo Narciso no Puxa Palavra
Graça Moura tem razão na forma tentada, Daniel Oliveira no Arrastão
Por linhas tortas, Daniel Oliveira no Arrastão
Excitação de Verão, Daniel Oliveira no Arrastão
Eles provocam. E nós: nada!, António Mesquita Nunes no A Arte da Fuga
Os "Verdeufémios" e os "artistas" das avenidas-novas, Carlos Medina Ribeiro n'O Carmo e a Trindade
Quem é amigo, quem é?, Daniel Oliveira no Arrastão
Transgénicos, o debate., Miguel Portas no Sem Muros
Diálogos absurdos, Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas
Trasngénicos, o debate possível, Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos
Notas sobre a operação de destruição de milho transgénico, Vital Moreira no Causa Nossa
Filipe Moura: Eu preferia quando a Eufémia era vermelha, António Figueira no Cinco Dias
O milho da discórdia, Eduardo Pitta no Da Literatura
Eufémia transgénica, Ana Vidal no Porta do Vento
Mais transgénicos, Nuno Ramos de Almeida no Cinco Dias

(Uf!, que trabalho deu pôr tantos links! A blogosfera está em polvorosa. Espero que reconheçam o esforço... )

Entrevista a Jaime Isidoro

Nascido há 83 anos, Jaime Isidoro, pintor portuense de renome, cedo se tornou uma figura incontornável no panorama cultural português. Em 1954 funda a Galeria Alvarez e, mais tarde, aventura-se na organização de diversos eventos culturais, promovendo os Encontros Internacionais da Arte, em 1970. No fim da década de 70 é responsável pela criação da Bienal de Vila Nova de Cerveira, que ainda hoje se mantém no activo e de boa saúde. Justamente por ocasião da abertura da XIV Bienal de Vila Nova de Cerveira, hoje, dia 18 de Agosto, o blog Janelar publica uma entrevista a Jaime Isidoro que, no passado mês de Junho, amavelmente cedeu algum do seu tempo para uma conversa cujo essencial aqui se publica. Feita no seu atelier, de ambiente intimista, a entrevista decorreu informal e desregrada.
Aproveitamos para agradecer a ajuda de Mariana Pacheco, que estabeleceu a ponte.


J - Houve uma mudança na forma de encarar a arte com o 25 de Abril?


Não houve muita mudança porque a revolução do 25 de Abril não foi apoiada por qualquer movimento cultural. Os militares não percebiam nada de arte, sabiam de armas e o único sentido artístico que deram à revolução foi o sentido poético dos cravos. E já foi um bonito sentido!
No entanto, eu imprimi um certo movimento artístico na altura do 25 de Abril porque organizei os Encontros Internacionais de Arte, que se fizeram em Valadares, em Viana, na Póvoa do Varzim, nas Caldas da Rainha e por último em Vila Nova de Cerveira. Os Encontros eram um prato forte da cultura portuguesa. Nós pretendíamos, primeiro, levar a arte à rua, ter contacto com a população, depois, que houvesse um convivo estreito entre artistas estrangeiros e portugueses. Nas Caldas da Rainha reunimos quase cinquenta estrangeiros. Divulgávamos a arte através de movimentos de painéis de rua. Participaramartistas como o Fernando Lenhas, o João Bicho, o Carlos Carreiro, o Albuquerque Mendes e outros. As pessoas paravam e diziam: “Mas que partido é este?” E nós respondíamos: “Este é o partido da arte!” Aí já houve um certo movimento cultural que se ligou com a Revolução, de resto não houve nada excepto organizações particulares.
Em todas as terras fizemos escândalo. Ninguém entendia. Os caciques culturais da terra que escreviam para os jornais davam cabo de nós. “Isto não é arte! Isto não é arte!”, escreviam. Nas Caldas da Rainha deu-se um caso muito curioso, organizou-se um manifesto contra os Encontros: os Socialistas fizeram um abaixo-assinado, os Comunistas também, o PSD igualmente. Ficámos isolados. Nessa altura pensei: “Ainda bem, o artista está de facto isolado. Não tem partidos, a arte é para servir o povo.”

J - Como animador cultural, criou também a Bienal de Cerveira.

Encontrei em Cerveira uma autarquia sensibilizada para a arte e uma terra bafejada por uma beleza extraordinária. Deram-me um espaço tão grande que eu fiquei deslumbrado. Designaram-me um Gimno-desportivo e foi lá que fiz a maior exposição fora de Lisboa ou do Porto e a que depois dei o nome de Bienal de Cerveira.

J - Que impacto é que a Bienal de Cerveira teve no panorama artístico português?

Eu fui o criador da Bienal de Cerveira, em 1978. Fui pintor, depois fundei uma galeria de arte que faltava no país. A Galeria Alvarez foi fundada num tempo em que não havia mercado de arte, uma aventura. Uma galeria se não há mercado de arte? Mas a quem é que vai vender? Mas eu tinha outro objectivo que era divulgar a arte moderna, contribuir para a arte jovem e, na altura, a galeria até foi um êxito. Chamavam-lhe “a casa dos malucos”, não entendiam nada de arte moderna. O último artista que consideravam seria o Van Gogh, quer dizer, era uma sociedade que caminhava de costas. Os impressionistas eram a última fase que entendiam, daí para cá não entendiam nada. Entretanto, tudo foi evoluindo, foram-se criando outras galerias para a divulgação da arte. A Bienal também contribuiu muito para abrir mentalidades.

J - Como grande animador cultural, qual foi o episódio que mais o marcou nos muitos eventos que promoveu?

Quando se faz cinco bienais, existem variadíssimos episódios... Por exemplo: um artista pediu-me para ter à sua disposição um painel em branco com oito metros por dois para fazer determinado trabalho…

J - Em que ano?

1980, em Cerveira. Esse artista, que era de Lisboa, começou a escrever em spray “todo o mundo é feito de mudança”. Eu estava a almoçar e o meu secretário da Bienal vem a correr e diz “Jaime Isidoro, tens que ir à Bienal porque o presidente da câmara está lá com dois trolhas para cobrir a frase porque disseram que aquilo era uma atitude comunista!” Fiquei muito admirado. Quando cheguei lá, a frase ainda lá estava e então soube que o presidente da câmara fez-se acompanhar de um homem que era o intelectual de Cerveira, que lhe disse assim “Ó senhor presidente da câmara, isto é uma frase de Camões!” Claro que então não deixou apagar a frase…

J - Como caracterizaria as duas grandes fases da sua pintura que os críticos delimitam entre meados dos anos 40 e meados dos anos 50, e desde os anos 80 até à actualidade?

Eu pretendo ser diferente todos os dias, pretendo não pintar sempre a mesma coisa. Quando vou para uma tela não me lembro da minha última tela. Não me lembro. É um acto criativo novo e isso está fora de estereótipos.

J - Se tivesse que escolher um quadro mais representativo de todo o seu percurso artístico, qual é que escolheria?

A pintura que mais significado tem para mim é aquela que ainda está na tela em branco. É a única resposta possível.

J - Fale-nos sobre a sua última exposição.

A Câmara Municipal de Gaia fez-me uma homenagem muito interessante porque para além de expor no Museu Teixeira Lopes, a Câmara editou também um catálogo com as obras todas dessa exposição que vai desde 1944, quase há sessenta anos, até hoje. Portanto, todo o percurso que fiz até chegar ao que cheguei. Não foi uma retrospectiva porque eu não fui buscar quadros a colecções particulares, mas sim quadros que estavam na minha posse. Uma espécie de “varrer do atelier”, indo buscar obras que estavam arrumadas há mais de cinquenta anos.

J - O que é que o atrai na cidade do Porto, visto que é também muito conhecido pelas suas obras que retratam a Cidade Invicta?

O Porto é uma cidade de uma certa magia para mim. Desde que eu comecei a pintar, comecei a olhar para a cidade do Porto com outros olhos. A cidade do Porto é uma cidade granítica, escura, é uma cidade de neblinas em que o documento se envolve na própria paisagem. Por isso é que eu digo que é uma cidade mistério, é uma cidade até para aguarela. Espantoso! E é uma cidade que me ensinou as cores da minha paleta, são os cinzentos e os azuis que eu mais gosto. É uma cidade que me fascina a ponto de eu pensar que gostaria de viver em duas cidades: uma era Paris, outra, o Porto. Sou feliz porque vivo na cidade que gosto. O próprio rio Douro é único no país porque a sua cor não é o reflexo do céu. Tem uma cor própria que se baseia em ocres, numa cor sempre mais escura que o azul do céu.

J - No catálogo da exposição individual na Galeria Por Amor à Arte (Porto, 1999), escreve o seguinte: “Uma vida inteira a querer saber o que é a arte. Uma vida inteira a viver entre dúvidas e incertezas, entre conceitos convencionais que de tempos a tempos se foram alternando.” E agora, oito anos volvidos, já sabe o que é a arte?

Não.
A arte é um mistério, a arte é inexplicável. Não se define. Nós não sabemos o que é a arte. Continua a minha procura, continuo convencido que me encontro, mas não sei se me encontro. Toda a minha vida numa busca da arte e é talvez essa a razão porque eu sou sempre diferente no que pinto, procuro sempre o desconhecido. Procuro sempre definir o que é a arte, mas não consigo. A arte… o que é a arte?
Precisamente atrás dessa pergunta que me fez eu escrevi quase cinquenta conceitos, aquando de uma homenagem que me fizeram com o crítico António Cardoso, no encerramento da minha exposição em Valadares. Escrevi o seguinte:

A arte é expressão universal. A arte é desenvolvimento, invenção e reinvenção. A arte são forças ocultas. A arte é transformação da realidade visual. A arte é transcendência. A arte é magia e mistério, é o além. A arte é tudo, todos e não é nada. A arte é arte. A arte não se vê, é inexplicável. A arte está em tudo em que meus olhos pousam. A arte é o indefinido. A arte é o essencial da existência humana. A arte é questão e interrogação. A arte é inconformismo. A arte é comunicação que incomoda. A arte é cultura e exigência. A arte é harmonia, formas e cores. A arte é expressão humana. A arte é paixão de ser artista. A arte é luz que educa. A arte é criação e experimentação. A arte é sentimento e emoção. A arte é exemplo e inovação. A arte não se conforma com valores tradicionais. A arte é para toda a gente. A arte não é para toda a gente. A arte é para quem a sente. A arte é destruição e construção. A arte é recriação. A arte é amor. A arte é crença, fé e convicção. A arte é deturpação. A arte é ciência, intuição, dúvidas e incertezas. A arte é Primavera e juventude. A arte é incompreendida no seu acto criativo. A arte é o previsto e o imprevisto. A arte acontece. A arte é de difícil leitura. A arte é aventura no desconhecido. A arte é procura e encontro. A arte tem as suas próprias regras. A arte é abstracção da realidade. A arte é a consciência do inconsciente. A arte é humildade. A arte é uma tela em branco. A arte é Deus. A arte é a força individual. A arte é o povo. A arte é o artista. A arte sou eu.

J - E mesmo assim ainda se mostra reticente em definir a arte?

Sim.
Depois de ter escrito estas definições pensei assim: “Isto é a minha bíblia, eu trabalho dentro destes critérios…”

16 Agosto 2007

Um caso d'hospício


Mas será que estão todos doidos? Por vezes, penso que vivemos num manicómio. Vejamos este caso d’hospício:
O vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Gaia, Mário Fontemanha, em declarações ao Jornal de Notícias sobre a demolição do chalé da família de Eça de Queiroz, diz que a câmara “irá obrigar os proprietários a proceder à reconstrução da casa.” A minha primeira reacção foi o engasgo, depois a tosse, o riso veio de seguida - a gargalhada rebentou no final!
Explique-me o Exm.º vereador como é que se reconstrói um chalé, ainda para mais de madeira de tabique! Ensine-me os mais recentes processos tecnológicos para reconstruir uma casa desfeita em lascas de madeira, por favor!
Tenho uma sugestão: talvez Mário Fontemanha goste de fazer puzzles. Em vez de ir ao Continente comprar as Pirâmides de Gizé em 3D, passa ali pela Granja e recolhe em sacos de plástico os restos mortais da casa. Assim, à noite, depois do árduo trabalho na Câmara de Gaia, pode ir encaixando as peças e acessórios do maior puzzle 3D alguma vez visto. Tenho uma sugestão: comece pelos cantos, é mais fácil!

06 Agosto 2007

Estação de todas as modas

Esta é a estação de todas as modas.
Ao mesmo tempo que, segundo o Público, 40% dos velhos já perdeu os dentes, as irmãs Salgado tencionam pôr a fasquia mais alta e estrear as dentaduras mais cedo, quando já não tiverem dentes para arrancar uma à outra. Analista X, entediado com o ócio, decide escrever um texto sobre as consequências nacionais da disputa fratricida. Eixo Norte-Sul em perigo, conclusão inevitável! Analista Y, ocioso com o tédio que é ler os textos de quem está entediado, como o do analista X, produz uma prosa cheia dos calores do Verão, a rebater o sem sentido que habita na cabeça de X, embora ache que não tem nexo contestar um texto sem sentido…
Enquanto isto, D. Duarte Pio queixa-se do ruído nos areais do Algarve e, não é improvável embora eu não o possa comprovar, um monárquico ferrenho comenta em casa a audácia de Sua Majestade, ah se isto fosse uma monarquia! Havia respeito!
(Diz-se nas entrelinhas que D. Duarte Pio e os analistas X e Y usam crocs, até George W. Bush foi apanhado com um par desses nos pés!)
Claro que com os queixumes de D. Duarte Pio e os atritos dos analistas X e Y, a grande maioria dos portugueses só pode viver em sofrimento psicológico, segundo noticiava o Público aqui há uns dias.
Ao conjunto destas e doutras circunstâncias veraneantes dão o nome de Silly Season, que afinal tem mais de silly do que de season por causa do aquecimento global…
Algures, um blogger “entre” férias entretém-se a escrever um texto que aponta as futilidades da época e antes mesmo do último ponto final apercebe-se de que o que acabou de escrever é tão típico da silly season como as preocupações com sol e as Bolas de Berlim apreendidas pela ASAE.
Então, lança uma gargalhada e diz:
- Que se lixe, não é esta a estação de todas as modas?

Leituras várias - Márcia Rodrigues e o véu

(dois lados na barricada)

"Lendo vendo ouvindo átomos e bits de 27 de Julho", Pacheco Pereira no Abrupto.
"Trapos Medievais", João Pereira Coutinho no semanário Expresso.

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"Os insondáveis caminhos da xenofobia", Luís Novaes Tito no Tugir em português.
"Quanto à entrevista de Márcia Rodrigues", Vieira do Mar no Controversa Maresia.

62º aniversário de Hiroshima

05 Agosto 2007

Paul Potts



via controversa maresia

É de ficar de boca aberta, não é?

04 Agosto 2007

Lágrimas de crocodilo

(-RIP-)


Quando o crocodilo, essa besta ancestral, abre as mandíbulas para engolir a sua presa – talvez um gnu que, inocente, incomodava as águas calmas de um rio –, comprime a glândula lacrimal de tal forma que é impossível não soltar algumas lágrimas, ainda que não sentidas. Assim, quando alguém chora sem sentimento, nós lembramos o exemplo do velho réptil no frenesi alimentar.
A Câmara Municipal de Gaia tem explanado nos jornais o seu pesar por o chalé da Granja onde viveram os descendentes de Eça de Queiroz e a própria viúva ter sido demolido. Que a casa iria ser considerada património dentro de poucos meses, que iria ser uma casa-museu, etc. É muito fácil chorar sobre leite derramado, muito mais fácil a inércia do que a acção. O chalé esteve mais de quinze anos devoluto, a consumir os seus anos numa lenta degradação. Ao longo das décadas, a casa foi alvo de diversas preocupações tão pontuais quanto fátuas. José Hermano Saraiva, que tem tanto de bom comunicador como de feérico nalguns dos seus “factos históricos”, veio até dizer que a casa pertencera ao próprio Eça de Queiroz. Fez-se ouvir um burburinho de preocupação, mas o assunto morreu no acto de nascer. Tanto melhor: a casa nunca pertenceu a Eça de Queiroz.
No entanto, apesar de não ter pertencido ao grande escritor, a casa tinha muito interesse na óptica do conjunto de casas que formava a Granja aristocrática que morreu com o 25 de Abril.
Assim, a Câmara Municipal de Gaia assemelha-se ao crocodilo que copiosamente solta lágrimas enquanto engole a presa: claro que não foi a Câmara a demolir a casa, no entanto a sua inércia teve tanta força quanto a das máquinas que a arrasaram.


PS - Em Novembro do ano passado, este blog entrevistou a última neta viva de Eça de Queiroz. Releia a entrevista que vale a pena, a história da casa está toda lá.

O barco vai à deriva


O Presidente da República vetou, e bem, o novo Estatuto dos Jornalistas. Como se pode ler na mensagem que enviou à Assembleia da República, Aníbal Cavaco Silva mostra sérias reservas quando à clareza de alguns artigos do Estatuto. O PR diz que as situações em que o sigilo profissional pode ser quebrado são dúbias, questiona o regime sancionatório e contesta ainda a norma que impossibilita o acesso à profissão aos não licenciados. Cavaco Silva, na sua mensagem à AR, faz questão de sublinhar que estes aspectos são fundamentais e que não foram elaborados com a clareza política que “é essencial para a qualidade da nossa democracia.”
Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, vem revelar um enorme desnorte ao defender que as dúvidas do PR não põem em causa “as traves mestras do novo Estatuto dos Jornalistas.” O barco vai à deriva.
Como magistralmente escreve Cavaco Silva: “No quadro de uma sociedade aberta e pluralista, os diplomas relativos à actividade jornalística configuram-se sempre como essenciais para a estruturação de uma democracia de qualidade.” A forma como o diploma foi elaborado é reveladora, no mínimo, de uma enorme leviandade por parte do Governo para com a democracia.

03 Agosto 2007

"Um sorriso de paz no ardor da batalha"

N'Dalatando, Maio de 1975

Morreu hoje Holden Roberto.
O título deste post foi retirado do cartaz de Holden Roberto (ver na fotografia). A imagem, de resto, é elucidativa de um período conturbado da história de Angola.